Uma
vez escrevi aqui sobre uma viagem minha na linha São Paulo – Ponta Grossa, da
Expresso Nordeste. Nessa viagem, a parte mais insuportável foi a hora da
“Sessão de Cinema” – que, pra minha alegria, não durou muito.
Mais
uma vez, a “Sessão” pintou em uma viagem onde eu estava. Desta vez foi na
viagem que fiz na linha São Paulo – Rio de Janeiro, da Itapemirim, em novembro
de 2010. Fiz esta viagem em um belíssimo Busscar Jum Buss 380.
Cheguei
às 6h30 da manhã na Rodoviária do Tietê. Fui ao guichê da Itapemirim comprar a
passagem. Olhei para o monitor para escolher o lugar. Surpresa minha: quatro
lugares ocupados. Ou seja, tinha o ônibus inteiro pra escolher. Escolhi a
poltrona 17 – janela esquerda.
Às
7h00, já dentro do ônibus, e com todos os lanches comprados, vejo que a procura
foi enorme na última meia-hora. Não chegou a lotar o carro, mas ao menos
preencheram quase todas as janelas. Eu, vendo que tinha um lugar vago em uma poltrona
junto à janela mais a frente, mudo de lugar, ficando mais perto da minha
bagagem de mão. Tive de deixa-la no bagageiro mas mais a frente da minha
poltrona, devido à falta de espaço no bagageiro acima da minha poltrona por
causa do espaço do ar condicionado.
No
meio da primeira parte da viagem, o amigo motorista liga o monitor. Depois de
uns institucionais, começa mais uma “incrível” sessão de cinema. Mais um filme
B (de Bem meia-boca). Se não me falhe a memória, o nome do filme era “Apolo
XIII” e, pra variar, não conhecia ninguém que lá contracenava. Meu bom humor
foi embora, tendo de assistir – ou, no mínimo, ouvir – a esse filme na marra.
Mas, como aconteceu em 100% das minhas viagens, logo o DVD enroscou e o filme
não continuou. Um passageiro, descontente com o filme, levantou-se e foi ao motorista,
avisar que o DVD havia travado. O motorista acabou desligando o monitor.
Na parada, o motorista confessou a mim que recebeu reclamação de gente que queria ver o filme e de gente que não queria. A pessoa que queria ver o filme mais insistente – e acho até que era a única – era uma senhora, loira, que encheu o motorista até dizer chega, reclamando do final abrupto da sessão.
Na parada, o motorista confessou a mim que recebeu reclamação de gente que queria ver o filme e de gente que não queria. A pessoa que queria ver o filme mais insistente – e acho até que era a única – era uma senhora, loira, que encheu o motorista até dizer chega, reclamando do final abrupto da sessão.
Logo
a viagem recomeça. E o filme volta ao monitor, atendendo ao pedido da senhora
insistente. Mas, desta vez, o DVD travou logo no começo. A senhora cinéfila
levantou-se e foi até a cabina do motorista para, mais uma vez, reclamar que o
filme havia parado. Pacientemente, o motorista tentou adiantar o DVD pra ver se
o filme seguia. Mas a imagem continuava estática. A senhora, auxiliando-o,
narrava a situação da imagem, olhando pelo monitor logo em cima da porta de
acesso à cabina – detalhe: o motorista mexia no aparelho ainda na condução do
veículo.
Para
a senhora cinéfila, a situação estava ficando desesperadora. Tanto que, em uma vã
tentativa de fazer o filme prosseguir, a senhora dá umas batidas de leve no
monitor, esquecendo-se que o problema era com o disco do DVD, cujo aparelho
fica na cabina do motorista.
Por
fim, depois de muitas tentativas frustrada – e muita reza brava deste escriba e
de outros passageiros que não queriam nem saber do filme – o motorista desistiu.
E a senhora cinéfila acabou voltando ao seu lugar, sem ter de ver seu filme.
Acho
até legal que as empresas invistam em recursos extras para tornar a viagem mais
sossegada e confortável. Mas, convenhamos, essa iniciativa de colocar TV em
ônibus, pra mim, é ridícula. Até porque tem gente que gosta e gente que não
gosta. Sem falar que ninguém tem escolha do que assistir ou se quer mesmo
assistir. E, quando quer, acaba tendo de ver tudo pela metade por causa da
falta de condições do aparelho ou do disco do DVD. Sem falar que é uma
atividade a mais para o motorista, que não tem de ficar olhando aparelho de DVD
enquanto conduz o veículo.
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Publicado originalmente na Revista InterBuss nº 23

