Em um frio domingo de agosto passado, e dei uma volta na linha 309T/10 Cidade Tiradentes -
Terminal Princesa Isabel. Era uma viagem que há muito tempo queria fazer.
Aliás, a 309T/10 e, principalmente, a 374T/10, Cidade Tiradentes – Metrô
Vergueiro, são duas linhas que sempre tive vontade de conhecer.
O ônibus partiu do Terminal Princesa Isabel às
10h10 e cheguei na Cidade Tiradentes às 11h40. Uma hora e meia cravadas. Isso
porque o motorista foi bem ágil na condução do 44609, um Mascarello Gran Via
2011, chassi Volvo B270R. O trânsito também ajudou, já que estava tudo livre,
em especial na Avenida Aricanduva.
Não fossem essas condições, a
viagem teria sido um inferno. Por quê? O trajeto da linha é muuuuito longo. A
Cidade Tiradentes é muito distante do centro de São Paulo. Imagino a penitência
que é para os passageiros linha, uma vez que uma viagem, em dias úteis, bate
fácil mais de 2h30, devido à enorme distância entre os pontos terminais, aliado
ao transito das vias por onde o ônibus passa. Algo que tem solução. Mas só
falta um pouco de vontade por parte dos governantes da cidade.
Agora vamos ao ônibus. O
Mascarello Gran Via, chassi Volvo B290R, é um belo ônibus. Por dentro um bom
acabamento. Mostrou-se um veículo muito silencioso. O trajeto e a extensão da
linha em muito contribuem para que os carros se desgastem rápido. Por isso,
pode-se ouvir alguns poucos rangidos da carroceria. Em matéria de conservação
interna, o veículo estava limpo. Ao chegar no ponto final, em Cidade Tiradentes,
a zelosa cobradora fez uma limpeza por dentro do carro.
A viagem não teve grandes ocorrências.
No trajeto, algo curioso: as linhas que seguem para a Cidade Tiradentes fazem
ponto final no bairro, mesmo tendo um terminal bem próximo, o Terminal Cidade
Tiradentes. Tanto na ida quanto na volta, linhas como a própria 309T/10 e a
374T/10, passam pelo terminal para pegar/deixar passageiros, e, depois, seguem
viagem. A distância entre o Terminal Cidade Tiradentes e o ponto final da
linha, na Avenida dos Metalurgicos, é curta. Não leva nem cinco minutos de
viagem.
A região da Cidade Tiradentes,
que fica no extremo leste da cidade de São Paulo, mais parece uma cidade do interior.
Um local muito pacato. Ainda vi uma charrete puxada a cavalo. Aliás, no trajeto
de volta, essa charrete ficou presa no congestionamento na Avenida dos
Metalurgicos.
A volta fiz em um Apache Vip da
Novo Horizonte. O carro era modelo convencional três portas, sem elevador na
porta do meio. Era bem conservado. Não anotei o prefixo do mesmo. Logo o
veículo partiu do “Terminal Metalurgicos” – como é chamado o local onde fica o pequeno
conjunto de pontos finais das linhas do bairro – e passa novamente pelo
Terminal Cidade Tiradentes. Essa passagem de volta tem um grande problema. Ao
sair do terminal, o ônibus pega um enorme congestionamento, já que a via que
margeia o terminal e leva o ônibus de volta a Avenida dos Metalurgicos, por
onde o ônibus segue viagem, é estreita e o tempo do farol é bem curto.
Passado esse pequeno trecho, a
viagem seguiu com tranquilidade até chegar nas proximidades do centro velho de
São Paulo.
Em um dos pontos próximos ao
centro velho, dentre outros passageiros, uma moça, acompanhada de um
cadeirante, fez sinal de parada. Como o
ônibus não tinha elevador, para subir o rapaz com a cadeira, a moça precisava
de uma ajuda. O motorista abriu a porta mas o cobrador estava enrolado com o
pessoal que estava entrando no carro pela porta dianteira. A irmã do
cadeirante, com “polidez”, mandou o cobrador ir ajudar a colocar o irmão dela
no ônibus. Não escrevi errado, ela mandou mesmo. Tratou-o como seu empregado,
sem atentar que o cobrador estava atendendo outras pessoas. Eu e outras pessoas
ajudamos a colocar o cadeirante pra dentro do ônibus. Lá dentro, a senhora, de
novo, mandou o cobrador, que continuava atendendo a fila, a colocar o cinto de
segurança em seu irmão, dizendo que, se algo acontecesse com ele, iria procurar
seus direitos. O cobrador pediu paciência e mais um pouco de educação à moça. A
partir daí, a moça se irritou e começou uma discussão que durou até o final da
viagem. E, pra piorar, se espalhou pelo ônibus inteiro. Quase saiu briga entre
dois homens que nada tinham a ver com a história mas que tomaram posições
diferentes.
Mesmo com esse clima hostil, logo
o ônibus chega ao Terminal Princesa Isabel. O cadeirante desce do ônibus e,
junto com sua mal-humorada irmã, segue seu caminho. A dupla do Apache Vip,
seguem com o ônibus para o ponto final da linha, para recomeçar a viagem de
volta.
****
Publicado originalmente na Revista InterBuss nº 60
Coragem clicar no TP da CT... Na última vez foi expulso por um fiscalzinho armado do CL4.
ResponderExcluir